domingo, 4 de março de 2012

Dia Nebuloso

Uma tênue luz entrava pela fresta da cortina, eu havia acordado há algumas horas, mas continuava na cama, como se isso fosse resolver as coisas para mim... Mais uma vez havia me posto em posição difícil, havia começado algo que não poderia terminar do jeito que queria, entretanto tudo aconteceu tão depressa, a chegada, o beijo, o calor da mão dela... Seriam longas férias e elas mal tinham começado. Soltei um longo bocejo e ergui-me da cama, esfreguei os olhos, ainda sonolento e caminhei em direção ao banheiro, o chão frio me fez tomar consciência de que estava acordado e que precisaria enfrentar o que estava reservado para mim.
Estava tomando café da manhã, quando meu celular tocou, não podia acreditar com quem estava falando, ela me ligara escondida, querendo marcar um encontro para podermos conversar e acertar as coisas de uma vez por todas. Minha mente tentava vagar pelos pensamentos dela, mas ela aprendera a me bloquear direito, sorri em júbilo sabendo que seria uma conversa franca dessa vez. Marcamos o horário e o lugar e ela desligou dizendo:
- Senti tanto sua falta... – sua voz parecia cansada, mas havia um que de emoção nela.
Fazia mais de um ano desde que nos separamos de forma abrupta e meu coração ainda perdia o compasso ao escutar sua voz melodiosa, olhei o relógio, ainda tinha mais algumas horas até o nosso encontro, olhei pela janela da cozinha e grandes e espessas nuvens escuras começavam a se juntar por sobre a cidade, poderíamos esperar muito frio esse inverno.
[...]
Minhas pernas tremiam, eu olhava constantemente no relógio, esperava ela há trinta minutos, meu coração estava em descompasso quando recebi um alerta de mensagem, retirei o celular do bolso e abri a mensagem:
“Desculpa, mas não posso ir... ainda não quero que
termine, ainda não quero te perder...”
Minhas mãos geladas tremiam, eu não sabia o que pensar, minha mente se expandiu e eu perdi o controle dos meus pensamentos, o rosto dela vinha constantemente. Liguei para [...] ele atendeu e perguntou o que tinha acontecido comigo, respondi que estava afim de sair, precisava me divertir.
- Não posso sair cara, já tenho outros planos, desculpa mesmo...
Desligou o telefone enquanto eu pensava no que estava acontecendo. Procurei o nome da [...] em minha lista telefônica, disquei e ela atendeu, com uma voz suave como veludo, sabia que era eu e sabia o que eu precisava, disse que estaria comigo em quinze minutos.
[...]
Estávamos juntos fazia meia hora, o calor do seu abraço quebrava o frio do dia e as fortes rajadas de vento à beira-rio, estava sentada de frente pra mim, seus braços envolviam meu pescoço enquanto os meus envolviam a sua cintura, eu havia enterrado meu rosto em seus cabelos e sentia a essência do seu shampoo enquanto ela brincava com meus cachos, não falávamos palavra, de repente ela afastou um pouco o seu rosto, me olhou fundo nos olhos e foi como se toda a minha angustia estivesse sendo sugada para fora, eu podia sentir todas os meus anseios serem aspirados por aqueles olhos. Por alguns momentos ficamos apenas os dois e os sons do rio, meus músculos agiram por vontade própria e eu a segurei mais forte, ela soltou um suspiro e eu a beijei, sabia que não era o certo, sabia que eu só ia fazer ela se machucar, mas aqueles olhos eram irresistíveis, sua boca pequena me atraía, simplesmente a beijei, ela se entregou totalmente aquele sentimento, aquele momento,  mas algo estava errado, havia uma outra série de pensamentos além dos nossos, me concentrei neles e encontrei uma barreira, minha mente não queria acreditar que ela estava lá. Paramos, olhei para o lado, lá estava, com os braços cruzado na frente do peito, uma lágrima corria no canto dos seus olhos:
- Desculpa se interrompi alguma coisa... – limpou as lágrimas com a manga do casaco e saiu andando depressa. Eu queria sair atrás dela, queria segurar seu braço e dizer para ficar, só havia voltado por sua causa, mas não o fiz e deixei que se fosse. A menina sentada em meu colo me olhou e disse que eu precisava ficar sozinho, levantou-se e me deixou sozinho, novamente aquela série de pensamentos me assaltaram, a noite entrava e o frio aumentava.
Mais um dia perdido, pensei, novamente faço coisas sem pensar e mais uma vez perco amigos por bobagem, estou melhorando, fechei minha mente e meus sentimentos, e comecei a caminhar em direção a minha casa, uma fina neblina começava a cobrir a cidade e mais uma vez precisaria começar tudo denovo...

Nenhum comentário:

Postar um comentário