Algumas conversas me entorpeciam durante minha ida para casa, só pensava que em breve teríamos que conversar. Aquilo estava sob controle, ou pelo menos era isso que eu pensava, e que eu poderia ter uma estadia sem percalços. Senti novamente sua mão quente na minha congelada, olhei em seu rosto e nada mais fazia sentido, seus pensamentos eram difusos e sem nexo, um afluxo de sentenças incondizentes com sua expressão, mas nada que me surpreendesse tanto quanto algumas coisas que me aconteceriam nos próximos dias...
- Quanto tempo? – ela me perguntou.
- Quanto tempo o que? – respondi sem pensar.
- Acho que você não entendeu, quanto tempo você vai ficar aqui? – ela retrucou com uma expressão séria e ao mesmo tempo adorável em seu rosto.
- A princípio um mês e alguns dias, por que quer saber? – tornei a olhar a sua expressão delicada, mas decidida.
- Por nada, só queria saber... – havia um tom de desilusão em sua voz de soprano.
Seus olhos grandes e expressivos me miravam com um brilho que não tinha visto ainda, me senti desconcertado com seu olhar e por um instante esqueci completamente o porquê de estar ali. Minha mente se esvaiu com um golpe surdo de martelo que eu não sabia de onde viera. Tudo mudou de cor de repente e eu estava em completo fascínio por aqueles olhos expressivos e agora mais do que nunca, profundos e misteriosos, eu não queria sair de perto deles e por mais que me esforçasse não conseguia me lembrar o porquê da viagem.
- Cara... – alguém chamava de algum lugar da escuridão, da qual eu me dava conta aos poucos que estava. – Cara, você está se sentindo bem? – insistia a voz.
- Estou. – respondi em uma meia voz, quase sem entonação.
O silencio pairou sobre os que caminhavam enquanto eu me recuperava da recente escuridão que havia me embalado como um cetim negro. As coisas começaram a fazer sentido novamente e de novo eu estava com meus pensamentos no que eu haveria de fazer e como dar um jeito no que eu havia me posto. Por outro lado eu estava ciente do que estava acontecendo com a minha vida e nada mais poderia mudar o que havia feito antes de embarcar naquele maldito ônibus para a tal cidade.
- Você parece confuso, está precisando de algo? – uma voz familiar me pegou de surpresa enquanto ainda segurava a mão dela na minha.
- Não, estou bem. – respondi com o resquício de voz que me sobrara.
Senti minha mão ser apertada e novamente mirei os olhos expressivos dela, me diziam alguma coisa que não pude entender e nem fiz questão de vasculhar seus pensamentos e expressão para saber do que se tratava...
Estava exausto da viagem, de caminhar e de escutar coisas sem nexo vindas dos pensamentos obscuros das pessoas.
Uma garoa mansa começava a descer do céu enquanto caminhávamos em silêncio novamente. Minha mente vagueava entre meus pensamentos iniciais da viagem e meus pensamentos em relação àquela pequena mulher que se segurava em minha mão. Sabia que duraria muito pouco o que quer que tivéssemos, mas eu não estava muito preocupado com isso no momento. Eu estava preocupado em como terminar uma das coisas que havia deixado inacabadas.
Eu sabia que algumas coisas não tinham volta, mas mesmo assim eu tentaria até as últimas conseqüências. Não é uma das coisas que mais me orgulho, mas sou persistente demais em relação a algumas coisas e geralmente eu ia até o final de algo, não importando o quanto me machucasse ou o quanto me fizesse mal, eu só queria que tudo terminasse bem, ou que pelo menos terminasse.
- Estou com frio... – ela me disse enquanto me abraçava forte.
- Sim, eu também estou com frio. – sorri ternamente para ela enquanto a envolvia em meus braços, grandes o suficiente para protegê-la.
Assim continuamos caminhando em direção ao que de agora até o fim de minha estadia, eu chamaria de lar. O grupo continuava silencioso, o único som que rompia esse véu enevoado era o barulho da garoa batendo no chão e nos casacos das pessoas que caminhavam envolvidas por suas angustias e anseios...
terça-feira, 16 de novembro de 2010
sábado, 12 de junho de 2010
Flashback - I
"- Precisamos conversar - eu disse enquanto meu amigo abria o estabelecimento em que trabalhava.
- É, eu sei... - ela disse me olhando com um sorriso apagado no canto dos lábios.
- Onde pode ser? - perguntei olhando meus pés, como se eles fossem o alvo da conversa.
- Na praça?
- Pra mim tá bom.
Subimos a rua do estabelecimento, chegamos na esquina e atravessamos a rua, sem nos olharmos diretamente nos olhos e sem dizermos palavra. Em minha mente flutuavam diversas questões:
'Será que é isso mesmo?' 'Vai ser melhor assim?' 'Não quero mais brigar, mas...' 'É, é isso que eu quero mesmo e se não der certo, paciência...''
Na cabeça dela as questões eram outras e eu sabia quais eram, não por 'saber', mas porque eu estava lendo, escutando e vendo.
Sei que isso não é muito delicado, mas eu precisava saber, ter certeza de que estava fazendo a escolha certa, que era realmente a melhor saída. Havíamos nos machucado muito nesses últimos dias, mais do que o necessário e eu queria o que devia ter feito desde o começo, quando éramos apenas amigos, mas o medo da reação dela e da repercussão era enorme. Aguardei.
Sentamos em um banco no meio da praça e ficamos um tempo em silêncio. Após algum tempo, não aguentei e comecei a falar:
- Acho que sabes o que eu tenho pra te dizer né?
- Sei, mas tenho medo...
- De quê? Da minha reação ou a tua resposta?
- Não, da minha resposta e da minha reação... - olhou os pés e fungou, estava chorando.
Em sua cabeça havia um turbilhão de imagens, sons, e frases, quase não consegui sair de lá...
- Tudo bem, eu tô preparado pra qualquer resposta e qualquer reação
- Tá bem.
- Preciso falar alguma coisa?
- Acho que sim, pra eu poder digerir bem.
- Ok, vou começar... - suspirei e recomecei a falar - Não quero mais ser só teu amigo, na verdade não consigo mais. Cada vez que eu estou do teu lado, quero simplesmente uma coisa e eu nem preciso falar, porque tu sabes. Não posso mais ficar assim, não durmo, não como, não sei mais como resolver isso.
- É eu sei, mas...
- Olha eu sei que é dificil - me levantei e circundei o banco, ela ficou sentada e eu a abracei por trás - mas eu posso esperar a tua resposta, mas não tenho tanto tempo.
- Eu sei, mas é dificil...
- Eu sei - apertei mais o abraço e lhe dei um beijo na testa - sendo qual for a tua resposta, nada vai mudar entre nós, mas tem que ser o mais breve possível...
Continuei olhando seu rosto, que agora me fitava com olhos castanhos tão escuros que pareciam a aproximação de uma tempestade, e a vi se inclinando em minha direção, sem ação mais fácil, cheguei mais perto e aconteceu.
No meio da praça, sem pressa, sem nervosismo, como se aquilo fosse feito por nós há muito tempo, nos beijamos, profundamente, tranquilamente e o mais incrível, apaixonadamente, como se nada mais existisse. Nem o céu, a terra em nossos pés, as pessoas, nada, só nós. 'Queríamos' que aquilo nunca acabasse, que fosse eterno. 'Queríamos', sem saber li seus pensamentos e vi o que ela realmente queria. Mas era algo que eu não podia fazer, meu futuro estava traçado. E o pior, longe dela... Ela viu o que estava ocorrendo comigo e me tranquilizou, foi melhor ainda daquele jeito, mesmo com o fantasma de um futuro longe dela pairando sobre nós, junto com as nuvens carregadas de tempestade..."
- É, eu sei... - ela disse me olhando com um sorriso apagado no canto dos lábios.
- Onde pode ser? - perguntei olhando meus pés, como se eles fossem o alvo da conversa.
- Na praça?
- Pra mim tá bom.
Subimos a rua do estabelecimento, chegamos na esquina e atravessamos a rua, sem nos olharmos diretamente nos olhos e sem dizermos palavra. Em minha mente flutuavam diversas questões:
'Será que é isso mesmo?' 'Vai ser melhor assim?' 'Não quero mais brigar, mas...' 'É, é isso que eu quero mesmo e se não der certo, paciência...''
Na cabeça dela as questões eram outras e eu sabia quais eram, não por 'saber', mas porque eu estava lendo, escutando e vendo.
Sei que isso não é muito delicado, mas eu precisava saber, ter certeza de que estava fazendo a escolha certa, que era realmente a melhor saída. Havíamos nos machucado muito nesses últimos dias, mais do que o necessário e eu queria o que devia ter feito desde o começo, quando éramos apenas amigos, mas o medo da reação dela e da repercussão era enorme. Aguardei.
Sentamos em um banco no meio da praça e ficamos um tempo em silêncio. Após algum tempo, não aguentei e comecei a falar:
- Acho que sabes o que eu tenho pra te dizer né?
- Sei, mas tenho medo...
- De quê? Da minha reação ou a tua resposta?
- Não, da minha resposta e da minha reação... - olhou os pés e fungou, estava chorando.
Em sua cabeça havia um turbilhão de imagens, sons, e frases, quase não consegui sair de lá...
- Tudo bem, eu tô preparado pra qualquer resposta e qualquer reação
- Tá bem.
- Preciso falar alguma coisa?
- Acho que sim, pra eu poder digerir bem.
- Ok, vou começar... - suspirei e recomecei a falar - Não quero mais ser só teu amigo, na verdade não consigo mais. Cada vez que eu estou do teu lado, quero simplesmente uma coisa e eu nem preciso falar, porque tu sabes. Não posso mais ficar assim, não durmo, não como, não sei mais como resolver isso.
- É eu sei, mas...
- Olha eu sei que é dificil - me levantei e circundei o banco, ela ficou sentada e eu a abracei por trás - mas eu posso esperar a tua resposta, mas não tenho tanto tempo.
- Eu sei, mas é dificil...
- Eu sei - apertei mais o abraço e lhe dei um beijo na testa - sendo qual for a tua resposta, nada vai mudar entre nós, mas tem que ser o mais breve possível...
Continuei olhando seu rosto, que agora me fitava com olhos castanhos tão escuros que pareciam a aproximação de uma tempestade, e a vi se inclinando em minha direção, sem ação mais fácil, cheguei mais perto e aconteceu.
No meio da praça, sem pressa, sem nervosismo, como se aquilo fosse feito por nós há muito tempo, nos beijamos, profundamente, tranquilamente e o mais incrível, apaixonadamente, como se nada mais existisse. Nem o céu, a terra em nossos pés, as pessoas, nada, só nós. 'Queríamos' que aquilo nunca acabasse, que fosse eterno. 'Queríamos', sem saber li seus pensamentos e vi o que ela realmente queria. Mas era algo que eu não podia fazer, meu futuro estava traçado. E o pior, longe dela... Ela viu o que estava ocorrendo comigo e me tranquilizou, foi melhor ainda daquele jeito, mesmo com o fantasma de um futuro longe dela pairando sobre nós, junto com as nuvens carregadas de tempestade..."
terça-feira, 8 de junho de 2010
Mais uma História...
Peguei o ônibus e segui viagem, mais algumas horas e estaria em [...], claro todos estariam me esperando, claro todos estariam ansiosos. Quanto tempo se passara? Dois anos, um? Quem sabe? Tudo o que importava é que eu estaria de volta, mais nada.
É claro que havia conversado com [...] e é claro que eu esperava algo mais do que apenas uma recepção calorosa, mas nada me indicava algo tão certo quanto eu esperava. A viagem era longa e eu estava cansado de estar no maldito ônibus, viajando havia quantas horas? Cinco, talvez seis e mesmo assim não sabia o que estava me esperando além de meus amigos. Ok, sabia que nada mais me surpreenderia depois do que aconteceu lá em [...], mas mesmo assim eu estava contente por estar voltando e mais ainda por estar me tornando algo que eu realmente esperava.
O solavanco me avisou que o grande maciço de ferro e plástico estava diminuindo a velocidade para entar em mais alguma cidade do interior. Maldito pinga-pinga, mas fazer o que, a escolha foi minha e de mais ninguém e nada poderia mudar o que eu havia feito enquanto estava em [...].
Tudo bem, passado é passado e nada mais poderia apagar as coisas nas quais me meti, mas poxa eu era tão inesperiente e agora eu consigo ver o quanto aquelas decisões me afetaram durante os anos em que estive longe. Suspirei enquanto o ônibus voltava a se mecher e tomar o rumo a [...], olhei o relógio, eram quatro da tarde, mais algumas horas e eu estaria junto das pessoas que haviam me esperado durante um bom tempo.
Imaginei seus rostos, lívidos pelo frio, os olhos brilhando, mas não sei se de comoção ao me ver ou se era o vento gelado batendo em suas órbitas.
Adormeci [...]
O breque brusco do pequeno ônibus me acordou, olhei em volta e podia ver que chegara onde eu queria chegar. Corri às horas, 19h30min, antes do que eu havia previsto. Espreguicei-me e puxei a mochila debaixo do banco onde vim durante toda a maçante e exaustiva viagem. Havia esquecido de como [...] era longe, havia esquecido o real motivo por estar voltando lá depois de tanto tempo,
(Um ano, dois? Não sei)
entretanto não havia esquecido o motivo por que tanto me irritei durante todaa viagem. Não passaria mais que um mês ali e queria ter certeza de que tudo quanto deixei poderia ser corrigido ou terminado. Ledo engano, aquilo mal estava começando e eu estava bem no meio da linha de fogo. Não sabia que haveriam coisas que pudessem mudar minha vida.
Desci do ônibus, coloquei a minha jaqueta de couro marrom, tirei os cabelos do rosto que haviam sido jogados ali pelo vento, coloquei a mochila em um dos ombros e procurei por seus rostos.
Estavam todos lá, inclusive [...] com alguém que reconheci ser [...], olhou-me com carinho e piscou os olhos vermelhos,
(Havia chorado ou seria o vento?)
olhou para cima e ele a [...].
Haviam me visto e vieram em minha direção, todos sorridentes e felizes. Sim, eu havia mudado bastante, mas não o suficiente para que não me reconhecessem. Senti uma ponta de tristeza brotar em meu peito. Suprimi. Caminhei na direção deles com o meu melhor sorriso de relações públicas. Haviam duas pessoas que não reconheci ao primeiro olhar, estavam junto de meus velhos amigos. Havia uma morena com o [...] e ao seu lado reconheci sua [...], com quem havia trocado alguns e-mails e conversações pelo Messenger. Haviamos combinado de [...]. A garota me viu e correu em minha direção, chegando antes de todos e pulando em meu colo. Deixei a mochila cair e a segurei. Me beijou. Rápido, mas forte o suficiente para me deixar com a sensação de posse. Procurei na turba de amigos seu rosto. Lá estava, com um meio sorriso e uma dor escondida em algum lugar de seu corpo. Eu não queria que fosse assim, mas...
Coloquei-a no chão e peguei minha mochila. Ela se pendurou em meu braço e logo estava com a sua mão quente na minha gelada e fria. Conversamos no tempo em que o resto deles chegava. Estava ansiosa para me ver. Procurei mais rostos na turba, encontrei o rosto dela. Desviei. O dele. Havia mágoa ou algo que eu não conseguia ler.
-Preciso chegar em casa - disse eu arrumando a mochila, enquanto ela não largava a minha mão.
"Serão longas férias", pensei comigo enquanto caminhava pela rua com meus amigos rumo à minha casa...
É claro que havia conversado com [...] e é claro que eu esperava algo mais do que apenas uma recepção calorosa, mas nada me indicava algo tão certo quanto eu esperava. A viagem era longa e eu estava cansado de estar no maldito ônibus, viajando havia quantas horas? Cinco, talvez seis e mesmo assim não sabia o que estava me esperando além de meus amigos. Ok, sabia que nada mais me surpreenderia depois do que aconteceu lá em [...], mas mesmo assim eu estava contente por estar voltando e mais ainda por estar me tornando algo que eu realmente esperava.
O solavanco me avisou que o grande maciço de ferro e plástico estava diminuindo a velocidade para entar em mais alguma cidade do interior. Maldito pinga-pinga, mas fazer o que, a escolha foi minha e de mais ninguém e nada poderia mudar o que eu havia feito enquanto estava em [...].
Tudo bem, passado é passado e nada mais poderia apagar as coisas nas quais me meti, mas poxa eu era tão inesperiente e agora eu consigo ver o quanto aquelas decisões me afetaram durante os anos em que estive longe. Suspirei enquanto o ônibus voltava a se mecher e tomar o rumo a [...], olhei o relógio, eram quatro da tarde, mais algumas horas e eu estaria junto das pessoas que haviam me esperado durante um bom tempo.
Imaginei seus rostos, lívidos pelo frio, os olhos brilhando, mas não sei se de comoção ao me ver ou se era o vento gelado batendo em suas órbitas.
Adormeci [...]
O breque brusco do pequeno ônibus me acordou, olhei em volta e podia ver que chegara onde eu queria chegar. Corri às horas, 19h30min, antes do que eu havia previsto. Espreguicei-me e puxei a mochila debaixo do banco onde vim durante toda a maçante e exaustiva viagem. Havia esquecido de como [...] era longe, havia esquecido o real motivo por estar voltando lá depois de tanto tempo,
(Um ano, dois? Não sei)
entretanto não havia esquecido o motivo por que tanto me irritei durante todaa viagem. Não passaria mais que um mês ali e queria ter certeza de que tudo quanto deixei poderia ser corrigido ou terminado. Ledo engano, aquilo mal estava começando e eu estava bem no meio da linha de fogo. Não sabia que haveriam coisas que pudessem mudar minha vida.
Desci do ônibus, coloquei a minha jaqueta de couro marrom, tirei os cabelos do rosto que haviam sido jogados ali pelo vento, coloquei a mochila em um dos ombros e procurei por seus rostos.
Estavam todos lá, inclusive [...] com alguém que reconheci ser [...], olhou-me com carinho e piscou os olhos vermelhos,
(Havia chorado ou seria o vento?)
olhou para cima e ele a [...].
Haviam me visto e vieram em minha direção, todos sorridentes e felizes. Sim, eu havia mudado bastante, mas não o suficiente para que não me reconhecessem. Senti uma ponta de tristeza brotar em meu peito. Suprimi. Caminhei na direção deles com o meu melhor sorriso de relações públicas. Haviam duas pessoas que não reconheci ao primeiro olhar, estavam junto de meus velhos amigos. Havia uma morena com o [...] e ao seu lado reconheci sua [...], com quem havia trocado alguns e-mails e conversações pelo Messenger. Haviamos combinado de [...]. A garota me viu e correu em minha direção, chegando antes de todos e pulando em meu colo. Deixei a mochila cair e a segurei. Me beijou. Rápido, mas forte o suficiente para me deixar com a sensação de posse. Procurei na turba de amigos seu rosto. Lá estava, com um meio sorriso e uma dor escondida em algum lugar de seu corpo. Eu não queria que fosse assim, mas...
Coloquei-a no chão e peguei minha mochila. Ela se pendurou em meu braço e logo estava com a sua mão quente na minha gelada e fria. Conversamos no tempo em que o resto deles chegava. Estava ansiosa para me ver. Procurei mais rostos na turba, encontrei o rosto dela. Desviei. O dele. Havia mágoa ou algo que eu não conseguia ler.
-Preciso chegar em casa - disse eu arrumando a mochila, enquanto ela não largava a minha mão.
"Serão longas férias", pensei comigo enquanto caminhava pela rua com meus amigos rumo à minha casa...
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