terça-feira, 8 de junho de 2010

Mais uma História...

Peguei o ônibus e segui viagem, mais algumas horas e estaria em [...], claro todos estariam me esperando, claro todos estariam ansiosos. Quanto tempo se passara? Dois anos, um? Quem sabe? Tudo o que importava é que eu estaria de volta, mais nada.
É claro que havia conversado com [...] e é claro que eu esperava algo mais do que apenas uma recepção calorosa, mas nada me indicava algo tão certo quanto eu esperava. A viagem era longa e eu estava cansado de estar no maldito ônibus, viajando havia quantas horas? Cinco, talvez seis e mesmo assim não sabia o que estava me esperando além de meus amigos. Ok, sabia que nada mais me surpreenderia depois do que aconteceu lá em [...], mas mesmo assim eu estava contente por estar voltando e mais ainda por estar me tornando algo que eu realmente esperava.
O solavanco me avisou que o grande maciço de ferro e plástico estava diminuindo a velocidade para entar em mais alguma cidade do interior. Maldito pinga-pinga, mas fazer o que, a escolha foi minha e de mais ninguém e nada poderia mudar o que eu havia feito enquanto estava em [...].
Tudo bem, passado é passado e nada mais poderia apagar as coisas nas quais me meti, mas poxa eu era tão inesperiente e agora eu consigo ver o quanto aquelas decisões me afetaram durante os anos em que estive longe. Suspirei enquanto o ônibus voltava a se mecher e tomar o rumo a [...], olhei o relógio, eram quatro da tarde, mais algumas horas e eu estaria junto das pessoas que haviam me esperado durante um bom tempo.
Imaginei seus rostos, lívidos pelo frio, os olhos brilhando, mas não sei se de comoção ao me ver ou se era o vento gelado batendo em suas órbitas.
Adormeci [...]
O breque brusco do pequeno ônibus me acordou, olhei em volta e podia ver que chegara onde eu queria chegar. Corri às horas, 19h30min, antes do que eu havia previsto. Espreguicei-me e puxei a mochila debaixo do banco onde vim durante toda a maçante e exaustiva viagem. Havia esquecido de como [...] era longe, havia esquecido o real motivo por estar voltando lá depois de tanto tempo,
(Um ano, dois? Não sei)
entretanto não havia esquecido o motivo por que tanto me irritei durante todaa viagem. Não passaria mais que um mês ali e queria ter certeza de que tudo quanto deixei poderia ser corrigido ou terminado. Ledo engano, aquilo mal estava começando e eu estava bem no meio da linha de fogo. Não sabia que haveriam coisas que pudessem mudar minha vida.
Desci do ônibus, coloquei a minha jaqueta de couro marrom, tirei os cabelos do rosto que haviam sido jogados ali pelo vento, coloquei a mochila em um dos ombros e procurei por seus rostos.
Estavam todos lá, inclusive [...] com alguém que reconheci ser [...], olhou-me com carinho e piscou os olhos vermelhos,
(Havia chorado ou seria o vento?)
olhou para cima e ele a [...].
Haviam me visto e vieram em minha direção, todos sorridentes e felizes. Sim, eu havia mudado bastante, mas não o suficiente para que não me reconhecessem. Senti uma ponta de tristeza brotar em meu peito. Suprimi. Caminhei na direção deles com o meu melhor sorriso de relações públicas. Haviam duas pessoas que não reconheci ao primeiro olhar, estavam junto de meus velhos amigos. Havia uma morena com o [...] e ao seu lado reconheci sua [...], com quem havia trocado alguns e-mails e conversações pelo Messenger. Haviamos combinado de [...]. A garota me viu e correu em minha direção, chegando antes de todos e pulando em meu colo. Deixei a mochila cair e a segurei. Me beijou. Rápido, mas forte o suficiente para me deixar com a sensação de posse. Procurei na turba de amigos seu rosto. Lá estava, com um meio sorriso e uma dor escondida em algum lugar de seu corpo. Eu não queria que fosse assim, mas...
Coloquei-a no chão e peguei minha mochila. Ela se pendurou em meu braço e logo estava com a sua mão quente na minha gelada e fria. Conversamos no tempo em que o resto deles chegava. Estava ansiosa para me ver. Procurei mais rostos na turba, encontrei o rosto dela. Desviei. O dele. Havia mágoa ou algo que eu não conseguia ler.
-Preciso chegar em casa - disse eu arrumando a mochila, enquanto ela não largava a minha mão.
"Serão longas férias", pensei comigo enquanto caminhava pela rua com meus amigos rumo à minha casa...

Um comentário:

  1. Estás escrevendo melhor do que nunca! Sempre soube do teu talento e amo ler tuas histórias, poesias.. seja lá o que for! Estas histórias estão ótimas, realistas! Sinto muitas saudades de ti meu amigo, grande irmão! TE AMO!

    ResponderExcluir