sexta-feira, 30 de março de 2012

Crescer


Deixando um pouco de lado os contos que escrevo nesse blog, queria falar sobre algo que vem preenchendo meus pensamentos ultimamente. Durante algum tempo eu sempre me perguntei o que significava crescer, porque essa palavra me assustava tanto? Seria me tornar adulto, responsável, deixar de ser quem eu sou para entrar num mundo completamente estranho, onde as pessoas querem passar umas por cima das outras, trabalhar, formar família e deixar de lado tudo aquilo que sempre prezei tudo aquilo de que sempre gostei?
Posso dizer, com um pouco de receio das minhas próprias palavras que crescer não é só o dito acima, é mais do que se tornar um membro “produtivo” da sociedade, é além de tudo evoluir. Eu tinha medo de ter que largar coisas que sempre gostei de fazer, de caminhar por um lugar obscuro ao qual chamam de “Vida Adulta”. Não que ainda não tenha esse medo, ele continua me perseguindo em cada esquina que eu dobro, a cada entrevista de emprego, enfim, em todos os momentos da minha vida, mas eu aprendi algumas coisas com alguns autores, principalmente com C.S Lewis, sobre como amadurecer e ainda assim não deixar de sermos quem fomos em nossa infância e adolescência, se claro, dosarmos com moderação tais coisas.
Uma delas é nunca perder o gosto por aquilo que se gosta de fazer. Nunca deixe de jogar video-games com seus amigos ou sozinho, não deixe de ler aquele livro de fantasia que você tanto gosta, de brincar com seus amigos, porque deixar morrer a criança que existe em você por convenções sociológicas é matar o seu eu mais alegre, é deixar de imaginar mundos inimagináveis, é deixar de sonhar com o impossível, simplesmente é perder o senso de que o mundo quando visto de uma ótica mais infantil pode sim ser mágico e obstáculos podem ser vencidos. Não tenha medo de adicionar mais gostos aos seus já existentes, não tenha medo de tentar o novo, seu espírito adolescente é o que impulsiona você ao incerto, ao duvidoso, a aventuras. Lembrar-se de que ter coragem não é ausência de medo e sim a força para enfrenta-lo. Crescer demanda mudanças, em nossa visão de mundo, de percepção social, de noções éticas, entretanto não significa que precisamos perder toda aquela bagagem de emoções, conhecimentos, vontades e principalmente nossos gostos para nos tornarmos adultos.
Opiniões foram feitas para serem ignoradas, não se guie por aquilo que os outros pensam de você, não deixe que a sua opinião e quem você é seja subjugado pelo pensamento fechado e medíocre dos outros, o importante é estar bem consigo mesmo, gostar de ser quem somos, admirar a beleza das coisas de um ângulo mais aberto. Crescer é uma forma de lapidar tudo aquilo que fomos aprendendo durante nossos anos de infância e adolescência, poder chegar ao patamar da tão temida “Vida Adulta” e saber que dentro de nós vive a criança que sonha e imagina e o adolescente que é destemido e rebelde, sabendo dosar essas duas facetas de nós mesmos, ser adulto não é tão assustador e nem tão complicados quanto pensávamos. Precisamos da nossa criança interior para continuar sonhando e imaginando e precisamos do adolescente para ousar a transformação desses sonhos e pensamentos em realidade e precisamos usar a fase adulta de nossa vida para ter a certeza e a confiança necessária pra levarmos nossos planos adiante.
Não tenha medo do novo, não tenha medo de EVOLUIR, tenha sim medo de ser um adulto vazio, frustrado e sem sonhos. Tenha medo de ser oco, sem pensamentos novos e sem a audácia de fazer as coisas acontecerem. Ande pelo caminho que você trilhou, sem passar por cima de ninguém, receba os méritos pelo seu trabalho duro e seja sempre aquela pessoa sonhadora, que acredita na humanidade, mas tenha os pés no chão para que o voo não termine em uma queda horrenda.
Cresça, evolua, aprenda e se molde, mas nunca esqueça quem um dia você foi...

domingo, 4 de março de 2012

Dia Nebuloso

Uma tênue luz entrava pela fresta da cortina, eu havia acordado há algumas horas, mas continuava na cama, como se isso fosse resolver as coisas para mim... Mais uma vez havia me posto em posição difícil, havia começado algo que não poderia terminar do jeito que queria, entretanto tudo aconteceu tão depressa, a chegada, o beijo, o calor da mão dela... Seriam longas férias e elas mal tinham começado. Soltei um longo bocejo e ergui-me da cama, esfreguei os olhos, ainda sonolento e caminhei em direção ao banheiro, o chão frio me fez tomar consciência de que estava acordado e que precisaria enfrentar o que estava reservado para mim.
Estava tomando café da manhã, quando meu celular tocou, não podia acreditar com quem estava falando, ela me ligara escondida, querendo marcar um encontro para podermos conversar e acertar as coisas de uma vez por todas. Minha mente tentava vagar pelos pensamentos dela, mas ela aprendera a me bloquear direito, sorri em júbilo sabendo que seria uma conversa franca dessa vez. Marcamos o horário e o lugar e ela desligou dizendo:
- Senti tanto sua falta... – sua voz parecia cansada, mas havia um que de emoção nela.
Fazia mais de um ano desde que nos separamos de forma abrupta e meu coração ainda perdia o compasso ao escutar sua voz melodiosa, olhei o relógio, ainda tinha mais algumas horas até o nosso encontro, olhei pela janela da cozinha e grandes e espessas nuvens escuras começavam a se juntar por sobre a cidade, poderíamos esperar muito frio esse inverno.
[...]
Minhas pernas tremiam, eu olhava constantemente no relógio, esperava ela há trinta minutos, meu coração estava em descompasso quando recebi um alerta de mensagem, retirei o celular do bolso e abri a mensagem:
“Desculpa, mas não posso ir... ainda não quero que
termine, ainda não quero te perder...”
Minhas mãos geladas tremiam, eu não sabia o que pensar, minha mente se expandiu e eu perdi o controle dos meus pensamentos, o rosto dela vinha constantemente. Liguei para [...] ele atendeu e perguntou o que tinha acontecido comigo, respondi que estava afim de sair, precisava me divertir.
- Não posso sair cara, já tenho outros planos, desculpa mesmo...
Desligou o telefone enquanto eu pensava no que estava acontecendo. Procurei o nome da [...] em minha lista telefônica, disquei e ela atendeu, com uma voz suave como veludo, sabia que era eu e sabia o que eu precisava, disse que estaria comigo em quinze minutos.
[...]
Estávamos juntos fazia meia hora, o calor do seu abraço quebrava o frio do dia e as fortes rajadas de vento à beira-rio, estava sentada de frente pra mim, seus braços envolviam meu pescoço enquanto os meus envolviam a sua cintura, eu havia enterrado meu rosto em seus cabelos e sentia a essência do seu shampoo enquanto ela brincava com meus cachos, não falávamos palavra, de repente ela afastou um pouco o seu rosto, me olhou fundo nos olhos e foi como se toda a minha angustia estivesse sendo sugada para fora, eu podia sentir todas os meus anseios serem aspirados por aqueles olhos. Por alguns momentos ficamos apenas os dois e os sons do rio, meus músculos agiram por vontade própria e eu a segurei mais forte, ela soltou um suspiro e eu a beijei, sabia que não era o certo, sabia que eu só ia fazer ela se machucar, mas aqueles olhos eram irresistíveis, sua boca pequena me atraía, simplesmente a beijei, ela se entregou totalmente aquele sentimento, aquele momento,  mas algo estava errado, havia uma outra série de pensamentos além dos nossos, me concentrei neles e encontrei uma barreira, minha mente não queria acreditar que ela estava lá. Paramos, olhei para o lado, lá estava, com os braços cruzado na frente do peito, uma lágrima corria no canto dos seus olhos:
- Desculpa se interrompi alguma coisa... – limpou as lágrimas com a manga do casaco e saiu andando depressa. Eu queria sair atrás dela, queria segurar seu braço e dizer para ficar, só havia voltado por sua causa, mas não o fiz e deixei que se fosse. A menina sentada em meu colo me olhou e disse que eu precisava ficar sozinho, levantou-se e me deixou sozinho, novamente aquela série de pensamentos me assaltaram, a noite entrava e o frio aumentava.
Mais um dia perdido, pensei, novamente faço coisas sem pensar e mais uma vez perco amigos por bobagem, estou melhorando, fechei minha mente e meus sentimentos, e comecei a caminhar em direção a minha casa, uma fina neblina começava a cobrir a cidade e mais uma vez precisaria começar tudo denovo...